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terça-feira, 25 de outubro de 2022

Aventura do Grupetto nos Pirinéus

Pirinéus - Junho 2022     

Dia 1

Maia - Viseu - Biarritz - Lourdes - Cauterets (muitos km e muitas horas)

De volta à escrita passados uns anos... Este ano, em junho, vivi uma grande aventura velocipédica com uns amigos. Num jantar com o grupo, resolvemos rumar aos Pirinéus para pedalar nas mais míticas montanhas do Tour. Com a pandemia pelo meio, este projeto ficou adormecido, mas passada a fase critica da pandemia, resolvi apresentar novamente a ideia num jantar com a malta do pedal, AKA Grupetto 2022. Neste jantar consegui convencer mais 6 almas a partilhar esta aventura comigo. Rapidamente foi marcado o alojamento, não vá a malta desistir, em Cauterets um local de fácil acesso 😁😁 e que fica relativamente perto de todas as subidas que planeamos fazer. A viagem lá se foi organizando sem muitos percalços, até que 2 meses antes tive uma queda, por sorte sem grande gravidade, 3 semanas antes o Pedro Cordeiro apanhou Covid, na semana seguinte "moi mêmê" com Covid e a 1 semana de partirmos fica infetado o Lopeky AKA "Superman" Lopes. Para agravar o quadro, a notícia de que o nosso Ricardo não poderia viajar com a malta por motivos familiares, mas ele mexeu-se bem e arranjou rapidamente forma de ir ter connosco no dia seguinte.

    Chegado o dia da partida, o meu despertador não toca e tenho o João à porta de minha casa, qual "sem abrigo", fartinho de me ligar e... NADA. 30 mensagens depois, toca a campainha para acordar a prima Donna. Recolhidos todos os atletas, iniciou-se uma longa viagem. Paragem para umas fotos e uns morfes em Biarritz. Em Lourdes paramos para jantar e como atletas que somos  fomos ao McDonald´s (não havia mais nada aberto às 21h). Após o jantar o destino era Cauterets. Aqui fizemos o reconhecimento da estrada que dava para o nosso alojamento, uma bela subida (quase rolante) 😂 até surgirem 4 ou 5 cotovelos com pendentes perto dos 2 dígitos e aí o João põe as mãos à cabeça e diz-me: "- ACHAS QUE CONSIGO FAZER ISTO????"... Risota geral, a noção de subida difere de uns para os outros.😁



Dia 2

Cauterets - Col d´Hautacam - Col du Tramassel - Cauterets --> (65.8km; 1674 D+)

    Alvorada por volta das 8h, seguida de pequeno-almoço e às 9h30 estávamos a arrancar para o primeiro dia desta aventura. Resolvemos sair desde o alojamento até Argéls-Gazost, foram cerca de 9km de descida e depois de mais uns 3 ou 4km estávamos à entrada do mítico Hautacam. Os primeiros kms foram "meigos" mas depois a subida fica mais exigente. Cada um seguiu ao seu ritmo, com o Lopes e o Tó a destacarem-se lá na frente (máquinas), seguidos da surpresa desta viagem, o João que se portou muito bem mostrando-se com algum à vontade nas subidas. O "miolo" da subida é o que mais custa, 4km entre os 10% e os 11%, acompanhados de algum calor não e para terminar em grande, os últimos cotovelos, que de alguma forma até ajudaram pela beleza da paisagem e porque nos conseguíamos ver nas diferentes fases da subida. Chegados ao topo, fomos desafiados pelas 2 máquinas a fazermos mais 1,2km de subida, onde culminava o Col du Tramassel. Apesar da minha hesitação, lá fomos e valeu muito a pena pelas paisagens deslumbrantes no topo.

    Após uns bons minutos de relax e de saborear toda aquela beleza, descemos a toda a velocidade e paramos para almoçar em Argeles-Gazost, onde sobressaiu o nosso Francês aquando dos pedidos 😁. Bem ou mal, lá nos desenrascamos e ganhamos força para a ultima subida do dia, Cauterets, o regresso ao nosso alojamento, feito debaixo de um calor tórrido. De carrinha, a subida não parecia nada fácil, mas de bicicleta e com o calor, veio a concluir-se que aquela seria a primeira e ultima vez a fazê-la. Muita dureza e aqueles "cotovelos" com pendentes acima dos 10% deitam abaixo a moral de qualquer um. Chegamos ao destino e depois do banho tomado, ainda deu para passear pelas ruas e parar numa esplanada. Terminamos o dia, com o atendimento na esplanada feito por um Tuga. Estamos em todo o lado...


Dia 3

Argeles-Gazost - Col de Borderes - Col du Soulor - Col d'Aubisque - Argeles-Gazost (90,5km 1849D+)

    Neste dia a alvorada foi mais cedo, saímos do alojamento às 7h50, pois o dia prometia ser muito quente e duro. Iniciamos a descida de bike para Argeles-Gazost e desta vez deixamos lá a carrinha (e o meu PC) pois tinha agendada uma reunião e no plano inicial estava prevista a chegada a horas. De Argeles iniciamos a subida, mas optamos por ir por Saint Savin que tem vistas fantásticas, para fazer o Col de Borderes, que tem 12,6km com pendente média de 6,2%. Comparado com o Hautacam é relativamente mais fácil, tirando os últimos 2km que são bastante duros. Seguiu-se uma descida perigosa até Arrens e é aí que começa a doer... inicio do Soulor (7,3km a 8,1%) durinho qb, mas atenuado com paisagens magnificas, breve paragem no topo para apreciar a paisagem e siga viagem para o Aubisque (7,2km a 5,2%). Estrada divinal com paisagens de cortar o fôlego, quanto à dureza, não tão duro quanto o Soulor, mas com as 2 subidas seguidas são 19,6km a 6,2%, que já dá uma bela dor de pernas. Para piorar a situação a hora da reunião aproximava-se e nós no cimo do Aubisque 😵 

Paramos num café/restaurante para o almoço e somos atendidos por um outro tuga, o sr. Gomes. Após o almoço, o Lopes e o Tó regressaram e os restantes estiveram 2h30 à espera que a minha reunião terminasse 🙏. Terminada a reunião, regressamos a Argeles-Gazost-Gazost, primeiro numa descida eletrizante até Arrens, seguindo-se uma descida mais "pedalável" que eu o António e o Pedro fizemos sempre no "red line", a desfrutar cada metro daquela descida. Chegados a Argeles-Gazost, apanhamos a carrinha e rumamos a Cauterets, mas não sem antes pararmos no Carrefour de Montanha para as compras do jantar. Para terminar o dia uma deliciosa lasanha feita pelo João. Digna de estrela Michelin!!!


Dia 4

Argeles-Gazost- Tourmalet - Lourdes - Argeles-Gazost (111,5km 1894 D+)


Chegou o dia de subirmos ao GIGANTE Tourmalet... Com temperaturas previstas a rondar os 40ºC saímos por volta das 7h30, fazendo mais uma vez a descida de Cauterets a Argeles-Gazost. Aí deixamos novamente a carrinha e de seguida, rumamos a Luz-Saint-Sauver, onde nos deparamos com o km zero do Tourmalet (18,6km a 7,6% de pendente média). Iniciamos a subida, nas calmas, todos juntos e com o passar dos kms fomo-nos separando, cada um no seu ritmo, pois a subida era longa. Voltamos a reagrupar em Bareges, onde descansamos um pouco e retomamos o caminho. Optamos por fazer a subida antiga (via Laurent Fignon), que é mais tranquila, pois é só para bicicletas, mas o piso está em mau estado. Tem vistas maravilhosas sobre a nova estrada que se encruzilha nos últimos 4km. Com o Grupetto espalhado pela subida fora, surgem nos últimos 2km, que são os mais duros da subida, pendentes médias de 9% e os últimos 300 metros, foram um suplicio, pensei algumas vezes em pegar na bicicleta à mão, mas lá consegui chegar. À minha espera, já lá estava o trio (Lopes, Tó e Pedro). É uma sensação de conquista incrível, com a malta a chegar a conta gotas, é brutal ver a alegria da conquista em cada um de nós após muitas horas de sofrimento montanha acima. Após uma paragem para contemplar, beber uma coca-cola (ou uma jola) e desfrutar desta experiência, vem a parte mais fácil, a descida... Se no topo já estava calor, quando passamos a estância de La Mongie levamos com um "bafo" de calor incrível, no final da descida, em Campan chegamos a apanhar 42ºC, que fez com que tomássemos a decisão de não ir fazer o Col D'Aspin 😢. Almoçamos uma pizza em Campan e fizemos o vale que nos levou até Lourdes onde as temperaturas chegavam aos 45ºC 🔥, assim que apanhamos uma ribeira, fomo-nos refrescar. Chegados a Lourdes paramos num cafezinho, onde mais uma vez fomos atendidos por um jovem tuga, para retemperar as forças, fizemos uma breve visita à cidade e regressamos pela ciclovia, mas não sem antes darmos um belo mergulho no riacho, para arrefecer o motor. Retomamos a viagem a ritmo TGV até Argeles-Gazost onde tínhamos deixado a carrinha e antes de chegarmos ao alojamento, nova paragem no Carrefour de Montanha para as compras para o jantar. Mais uma vez o chef João ao serviço, foi um belo jantar e bem regado, na nossa despedida desta grande aventura.               



Dia 4

Cauterets - San Sebastian - Viseu - Maia 

Regresso lento e pesaroso à realidade, foi uma viagem sem percalços, mas bastante custosa, fica a sensação que não foram dias suficientes para o que gostaríamos de ter feito, mas quem sabe não iremos regressar...


Para veres o video, clica aqui


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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Camiño de Santiago 2013

Julho 2013

1º dia Maia-Ponte de Lima
Saímos de casa às 8:30h rumo a Santiago. 2 min depois estávamos parados porque a Bike do Pires estava com problemas nas mudança... Bom prenuncio:) seguimos viagem e a primeira paragem deu-se junto à ponte sobre o rio Ave para tirar umas fotos... De seguida veio a 1ª dificuldade uma bela subida e o Pirex só com a mudança maior (Talega) :) passada a dificuldade, prosseguimos a peregrinação e voltamos a parar em Rates para o segundo carimbo na credencial e tomar um café. Seguimos, sempre por caminhos e estradas secundarias, sempre atrás das seta amarelas. Paragem para o almoço, no Pedra Furada uns km antes de Barcelos onde "embrulhamos" uma sande de rojão acompanhada de uma coca-cola bem fresca. Mais um carimbo na nossa credencial... Em Barcelos paramos numa loja de bikes para arranjar a "burra" do Pires, sorte a dele que o
homem não lhe cobrou nada :) seguimos o nosso caminho e eis que encontramos um riacho, o Pires até se atirou pro chão tanta era a vontade de mergulhar ou então ficou louco com a sereia que lá se encontrava. Um mergulho para refrescar e... siga. Sempre por trilhos com algumas subidas e umas descidas loucas, uns tombos do Pires e lá chegamos a Ponte de Lima 4:55h depois, onde ficamos a desfrutar do rio, e nos arrependemos de não ter dado um mergulho em vez de ficarmos à espera que o albergue abrisse. Fizemos o "check in" e fomos arranjar o porta alforges do charuto do Pires, vamos ver como fica amanha:) Banho tomado, demos um passeio pela cidade e paramos numa esplanada a fazer horas para jantar. No final do dia procuramos um restaurante, River view onde não se comeu nada de especial e nada barato, o meu Tio Carlos ainda nos fez companhia no café. 21:45 siga pro albergue que fecha ás 22h, xonar porque amanha o dia é duro.



2º dia Ponte de Lima-Pontevedra
Alvorada às 7h e fomos tomar o pequeno almoco, ou tentamos, no café ao lado do albergue, mas estava um alvoroço que resolvemos ir ao café central, às 8h estávamos a sair de Pte de Lima. Inicio de jornada tranquilo, mal sabíamos o que aí vinha, mas isso é outra conversa. Começaram as subidas que iam aumentando de forma gradual, ao ponto de as bikes serem transportadas à mão... A subida da La Bruja é descomunal, muito íngreme e com muita pedra, mas lá chegamos ao topo, digno de foto e video. Alguns metros mais à frente encontramos uma Roulotte de um estrangeiro que nos salvou dando-nos água e também um belo carimbo. A roulotte estava imbuida num espirito de paz e harmonia, que transparecia no seu dono, tudo muito arranjado com um incenso a arder e com o necessário para os peregrinos menos prevenidos. Iniciada a descida e foi a festa, apesar de algumas partes mais técnicas deu para recuperar o fôlego. Seguiram-se mais umas quantas subidas e descidas e com uma paragem antes de chegar a Valença por causa dos alforges do Pires, mais uma vez.
Chegados a Valença entramos na muralha e entramos logo no 1º restaurante que apareceu pois a fome era negra, cometemos o erro de não termos feito uma paragem a meio da manha para nos alimentarmos e acusamos o esforço. Depois de um almoço reforçado e de uma paragem de 1h fizemo-nos ao caminho atravessando toda a muralha por ruelas e calçadas. Atravessamos a ponte e estávamos em España... Seguimos o caminho com mais subidas logo à entrada até à Catedral de Tui e depois uma descida, mas por escadas... A loucura!!!! Paramos mais à frente numa fonte pra nos refrescarmos pois estava na hora do calor... E não víamos ninguém a fazer os caminhos, só os doidos dos Tugas. Seguimos viagem, que viria a ser interminável com um sobe e desce constante, rampas bem inclinadas caminhos técnicos onde por vezes a bike ía à mão e a desmotivação a começar a
aparecer visto que Pontevedra teimava em não aparecer:( continuamos por caminhos bem sinuosos mas lá fomos indo na paz... Chegamos a Pontevedra, qual miragem no deserto... Para mal dos nossos pecados, o albergue estava cheio :( "Tienes un mas arriba" - Raina de la Paz - que ficava no cimo de uma colina... Bem era só mais esta subida e depois descanso, mas antes vamos jantar. Jantamos e arriba mais uma boa subida pra ir dormir. Lá encontramos o albergue onde estavam umas angolanas muito bem dispostas e preocupada com o nosso ressonar :) mas afinal quem ressonava eram elas... Mais tarde chegaram uns franceses que já estavam de volta pra Portugal e ainda nos deram umas dicas para o nosso regresso. Banho tomado, roupa lavada e siga dormir k é bem preciso recuperar...

Até amanha

















3ºdia PonteVedra-Santiago

Alvorada às 7:00h preparamos as burras e fomos ao centro da cidade tomar o pequeno almoço. Um café con leche e um bolico e o Pirex embrulha 3 rufadas :) fizemo-nos ao caminho, hoje mais bem tranquilo do que ontem, sempre a rolar com algumas subidas mas nada de especial comparado ao dia anterior.

Paragem na café Ponte romana em Padrón para o 2º pequeno almoço num sítio bastante engraçado. Prosseguimos a peregrinação onde íamos encontrando um grupo de escuteiros portugueses que se   espalhavam pelo caminho. Passamos em trilhos muito bonitos num sobe e desce constante, mas em que a beleza era tanta que nem os custou fazer. Paramos para almoço no Mesa de pedra restaurante medieval, se é que podemos chamar restaurante, tanta era a confusão naquele espaço... Comemos umas tostas com queijo e jamon acompanhado da bela coca-cola, e ainda comprei um regalo pra Du.

Depois de alguns km fizemos uma paragem na cafeteria em Ames onde embrulhamos um Aquarius e batata frita. 20min corridos e estávamos em Santiago, onde as setas foram desaparecendo mas lá demos com a Catedral. Fotos da praxe, oficina do peregrino para terminar a peregrinação e fomos beber para festejar a chegada. Depois fomos ao turismo pra procurar sítio pra dormir, tudo bem mais caro do que tínhamos pago até agora. Veio um sr. ter comnosco e por 30€ ficamos a dormir num "arranjo" com maquinas de lavar e secar, mto útil visto os nossos equipamentos cheirarem um pouco mal. Instalados lá tomamos banho e pusemos a roupa a lavar, ou melhor, tentamos por... Descansamos um pouco e fomos dar uma volta pela cidade. Encontramos um restaurante mas a vontade de comer era pouca tal era a minha indisposição. Espero que amanha esteja melhor para pedalar de regresso a casa.

Dia 4 Santiago-Pontevedra
Começa mais um dia com alvorada um pouco mais tarde 8h... A minha disposição ainda não era a melhor e no pequeno almoço só comi meia torrada acompanhada por uma meia de leite que deveria ter sido chá. Ultimas voltas por Santiago, o abraço a Santiago e rumamos a Portugal. O tempo não parecia muito amistoso e assim que saímos de Santiago tive que vestir o impermeável pois começava a chover. Estrada fora com um transito sempre a bombar, lá fomos descendo o caminho sempre acompanhados de aguaceiros. Ia sofrendo na Bike com dores de estômago e sem conseguir comer nada, a estrada sempre num sobe e desce aquilo a que chamamos rompe-pernas e a fadiga começa a aparecer. Paragem em Padrón para um chá e pra esperar k a chuva parasse. Continuamos a viagem mas as dores de estômago não paravam e a paisagem não ajudava nada a desanuviar a mente, para além de não conseguir ingerir nada solido. Tomei a decisão de ligar ao meu irmão para nos ir buscar a Pontevedra visto que não iria conseguir pedalar muito mais sem comer. Faltavam cerca de 15km e nova paragem para ida ao WC e comprar mais água, pareciam que esses km eram intermináveis. A chegarmos a Pontevedra o Pires diz-me k vai continuar, fico triste por um lado porque queria continuar também, mas feliz pela atitude de coragem deste companheiro que é um guerrreiro. Paramos em Pontevedra, aliviamos os alforges do Pires, visto que levou cerca de metade do apartamento, e ele seguiu viagem enquanto esperei pelo meu irmão, que tb não tardou em chegar. Deu-se assim por terminada a minha peregrinação, numa paragem forçada. Não será com certeza a ultima...

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Luís Costeira

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Fim de semana

Junho de 2013
 Depois de um acidente de bike, temos que nos animar e nada melhor que um fim de semana na Costa Vicentina com a minha esposa. Sábado de manha rumamos para sul, para Muda (Grandôla) mais precisamente, onde ficamos instalados na Herdade do Brejo da Amada.  Ficamos num bungalow duplo, algo pequeno para uma grávida e um maneta :) O espaço está muito engraçado, com muita natureza, uma piscina natural e muito espaço para as crianças brincarem, pior foi o tempo que não ajudou...
  No primeiro dia ficamos pela herdade, onde também jantamos, o que não aconselhamos, pois é algo caro e nos arredores há restaurantes para fazer refeições bem mais em conta. 
No 2º dia, a seguir ao pequeno almoço fomos explorar os arredores, praia do Carvalhal, muito bonita e com bom aspeto para surfar, com parque perto da praia e para aqueles mais comodistas por apenas 3€ podem estacionar no parque privado da praia :) Dois restaurantes para fazer as refeições ou petiscar qualquer coisa, ficamos bem impressionado com o Restaurante dos Pescadores. 
Feito o reconhecimento, fomos à vilazinha tomar o lanche matinal... De seguida fomos à praia do Pêgo, com um parque de estacionamento privado bem perto da praia (para quem não que pagar tem que deixar o carro a uns 500mts), mas como só íamos visitar resolvemos deixar o carro junto à praia, onde se dirigiu para nós um senhor que nos disse que não podíamos deixar ali o carro nem para ir somente visitar a praia. Conclusão: "o senhor passa multa??? Não. Só a autoridade- responde ele... Então até já!!! E lá fomos nós fazer a visita. Praia muito bonita, um barzinho com muito bom aspecto mesmo juntinho ao mar.
Seguimos para a praia da Comporta, dentro daquilo que já tinhamos visto e rumamos para Tróia, onde almoçamos umas tapas à portuguesa e fizemos uma visita ao "resort". Casas com muito bom aspeto e bem pertinho da praia... Finda a visita regressamos à herdade e mais tarde fomos jantar ao Mira Ponte, onde comemos uns belos abanicos de porco preto, muito bem servido... Não sobrou nada para contar...
Regresso à herdade e caminha que amanha a viagem é longa.
 Na manha seguinte partimos rumo a Lisboa a casa das priminhas Sara e Rita, onde almoçamos um arroz de polvo muito bom feito pela Sara e pelo Rui. Uma tarde bem passada em Lisboa e regresso ao Porto, para mais uma semana de trabalho.
Piscina natural - Brejo da Amada
Praia do Carvalhal


Praia do Pêgo
Praia de Troia 

Praia da Comporta

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Luís Costeira

domingo, 17 de março de 2013

Maratona de Barcelona

Barcelona, 16 de Março 2013



Com partida marcada para as 06h30 no Aeroporto de Pedras Rubras, digo Francisco Sá Carneiro, lá fomos bem cedo, à boleia com o Sr. Mário. 1h40min depois estávamos a aterrar em Barcelona, o piloto, vulgo Brutus, fez uma aterragem violenta que assustou a malta :) Chegados lá fizemos o check-in nos repetivos hotéis, e seguiu-se o levantamento dos dorsais, depois de uma volta pela feira da maratona, com muito material bastante atrativo, fomos dar um passeio pela cidade.
 Resolvemos ir almoçar na Pans perto da Estació de Sans, não recomendamos, pois lá fomos roubados, isto é a Dulce foi roubada. Pois é, cinco pessoas na mesa e alguém rouba a carteira da Du, que estava nas costas da cadeira e debaixo do casaco e ninguém deu por ela, estes gajos são profissionais na arte de roubar, pior do que eles só mesmo os nossos governantes :) Lá se foram os documentos, o dinheiro entre outras coisas, mas o problema mesmo eram os documentos, pois a Ryanair não deixa viajar com as cópias dos mesmos... Seguiu-se a pré maratona, fomos à policia, fazer a denuncia e mandaram-nos ir ao consulado no dia seguinte, Domingo... "Se calhar seria melhor ir agora", dizia a policia que estava no "guichet", isto às 15h locais, hora a que fechava o consulado. Ligamos para o número de emergência e passado algum tempo devolveram a chamada com a explicação do que teríamos que fazer, já estávamos nós a chegar ao consulado... Ficamos mais tranquilos e fomos passear pelas Ramblas. Fomos ao mercado da Boqueria, muito giro, seguimos pelas Ramblas abaixo até ao Maremagnum. Aproximando-se a hora da janta mais uma maratona à procura do restaurante, tendo o Lota como guia, qual guia nepalês para nos indicar o caminho... Ramblas acima, Ramblas abaixo e lá encontramos o restaurante, onde se comeu bem, valeu a pena andar tanto... No regresso ao hotel, nas escadas do metro, o Lota distrai-se e falha o degrau, gozado por todos, qual não é o espanto que 2 segundos depois me acontece o mesmo... Achamos, que pelo andar da carroça ainda íamos passar a noite no hospital, já nos estava a ver a fazer a maratona de muletas :) Para evitar mais desgraças decidimos recolher ao hotel. 







O dia "D"!!! Alvorada bem cedo para um pequeno almoço reforçado e voltar para o quarto fazer os últimos preparativos. Vim ter com o Lota à porta do hotel e rumamos à partida, mas não sem antes tirar uma foto da praxe antes da prova... Dirigimo-nos para a partida, onde estava um ambiente fantástico, mesmo debaixo de alguma chuva. Foram dadas várias partidas dependendo do grupo estipulado, nós colocamo-nos no grupo das 3h30 e íamos tentar ir sempre a morder os calcanhares às bandeiras :) Dada a "nossa" partida lá comecei a correr a minha primeira maratona internacional, sempre debaixo de um ambiente fantástico e ao lado de um grande amigo que me acompanhou sempre com a boa disposição que o caracteriza, foi sempre animado e deu-me um grande apoio na conquista de cada quilometro passado. Um verdadeiro lutador, que mesmo lesionado fez questão de aqui estar presente. O ambiente em torno desta corrida é brutal, com a constante presença de muitas pessoas sempre a apoiar-nos e a dar-nos animo (anim como eles diziam).
 É realmente a rainha das provas, tantas emoções que passamos no decorrer da prova, tantas situações caricatas que se vão vendo, muita gente a sofrer para ter a experiência de acabar os 42,195km. Esta é uma maratona com algumas subidas, mas ficou a marca da subida junto ao Camp Nou onde estava um senhor com um cartaz a dizer que aquele era o ponto mais alto, uma dose de animo para todos, apesar ainda não sabermos que os últimos 2km eram a subir :) Fomos passando por vários pontos turísticos da cidade (ver mapa em cima), alguns deles quase não os víamos de tão concentrados que íamos na corrida, o Lota ía passar pela Sagrada Família sem dar por ela :) A passagem pelo Arc de Triomf, foi fantástica, parecia o publico da volta à França, com cartazes de apoio, incrível mesmo a enormidade de pessoas e nações que ali se juntavam, para apoiar os seus amigos e familiares. A ultima subida foi brutal pela quantidade de gente a sofrer para atingir a meta, 2km infindáveis, eu foi sempre a tentar controlar a mente para, metro a metro, me aproximar dela e terminar bem. Fui-me aproximando do meu objectivo com um sorriso nos lábios e com a sensação de dever cumprido. 3h31 minutos depois de ter partido cheguei, juntamente com tantos outros que festejavam como se tivessem chegado em 1º lugar, a alegria e a emoção da chegada estampada nas pessoas, umas choravam outras gritavam, outros abraçavam-se e alguns ainda se atiraram para o chão como se fosse promessa. Fiz uma prova sempre muito controlada, sem grandes loucuras, procurei gerir o esforço, alimentar-me bem e acima de tudo desfrutar da prova, como dizia o grande Kilian Jornet, "o mais forte não é aquele que acaba em 1º, mas sim aquele que tem mais prazer naquilo que faz". O meu amigo Tó tinha razão, aquela não foi a última vez que corri uma maratona...
Apesar de todas as peripécias tudo acabou bem, nós (eu e o Lota) terminamos a maratona e a Du conseguiu regressar a casa, com a cópia dos documentos e o auto da policia:)
Tenho uma agradecimento especial aos amigos Lota, Marcia e Marcia Gabriel que foram incansaveis no apoio que nos deram nos momentos difíceis que passamos, são uns verdadeiros amigos!!! O nosso muito obrigado.
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Luís Costeira
A minha inspiração



domingo, 4 de novembro de 2012

S. Tomé & Principe 2008

Agosto 2008
 A sua descoberta remonta ao século 15 (1470-1471) quando os navegadores portugueses Pêro Escobar e João de Santarém desembarcaram nas ilhas provavelmente desabitadas. Primeiro foi a ilha de S. Tomé, a 21 de Dezembro de 1470 e de seguida a ilha do Príncipe em 17 de Janeiro de 1471.
A colonização dá-se por volta de 1500, com a vinda de portugueses encabeçados por Álvaro Caminha e António Carneiro que aproveitaram as ilhas virgens com rico solo para a introdução da cana-de-açúcar. 
São Tomé e Príncipe é também muitas vezes referida como ilhas chocolate, pelo facto de ter sido o primeiro território no continente africano a produzir o cacau.
Depois de muita procura e de, até termos na mira, outro destino, surge, à última hora, a possibilidade de viajar para S. Tomé e Príncipe. E nós... bora lá, passar uns dias no paraíso do cacau!!! 
Saímos de Lisboa, pela SATA e lá rumamos à ilha. Uma viagem conturbada, mas que não passou de um susto... À chegada era um mundo de gente a vender colares e a pedir doces. Transfer feito, com passagem pelo centro da cidade e pela Baía Ana Chaves, lá nos acomodamos no Pestana São Tomé, um bonito hotel, inaugurado na semana anterior à nossa chegada, bem juntinho ao mar. 
No hotel há vários "guias locais" que nos levam a conhecer a ilha, em grupo ou sozinhos. Na primeira "excursão" fomos em grupo e visitamos várias roças; a Roça Agostinho Neto (que antes da independência se chamava Rio D'Ouro). Foi uma das maiores, ou mesmo a maior, chegando a ter perto de três mil trabalhadores! É um vislumbre para os olhos. A casa do Administrador apesar de abandonada está em bom estado, e tem uma escadaria muito bonita em madeira preta. O Hospital ao fundo é enorme e a sua construção parecia estar em bom estado. Com muita pena minha, não visitamos o seu interior. Em redor, de um lado as casas, que seriam dos escravos e alguns "armazéns" onde era tratado e armazenado o cacau. Do outro lado a casa dos capatazes. Fiquei impressionado com a grandeza desta roça.
Seguimos, até à Praia das Conchas e Praia Guadalupe, passando pela povoação de Neves e por fim, chegamos à Roça Diogo Vaz. Bem mais pequena do que a anterior, mas com tantas histórias para contar. Esta roça é das poucas que ainda produz cacau, vimos todo o seu procedimento, desde a apanha, à fermentação, secagem e selecção. A secagem ainda é feita de forma artesanal em tabuleiros sobre pedras que ajudam a aquecer estes. Fizemos uma visita às instalações que pouco melhor estão, desde que foi feita a descolonização. Aqui encontramos um grupo de crianças muito simpáticas, sempre atrás de nós a gritar "doce, doce, doce, doce".
Esta roça, apesar de ter algumas casas habitáveis, encontra-se, à imagem das outras, algo abandonadas. É pena o Governo não fazer nada para melhorar esta situação e recuperar estas belas casas com tanta história. 
Retomamos o caminho e paramos para almoçar num restaurante muito caseiro, o Celvas, que o nosso guia, Moisés, conhecia. Muito boa a comida e a hospitalidade das pessoas que nos serviam, a não perder!!! Regressamos à cidade e visitamos o centro, onde fizemos umas compras no artesanato local e visitamos o Café & Companhia.
Regresso ao hotel e depois do jantar fomos tomar um café ao Café Avenida, local onde tudo se passa, onde se discute politica e sociedade, mas... tudo isto no final da tarde.
No dia seguinte, estávamos de partida de S. Tomé, rumo ao Ilhéu das Rolas. Antes ainda fomos visitar umas quantas coisas, sempre guiados pelo Moisés. Passamos uma vilazinha, Pantufo, com casas coloniais, depois Santana, a praia das 7 ondas e a praia Micondó. Nesta última fizemos uma tentativa pedestre mas como chovia muito, não deu para aceder à praia, tivemos que ir de carro por um acesso privado.
Pelo caminho visitamos a Roça dos Açoreanos e como não poderia deixar de ser a Roça S. João dos Angolares, onde almoçamos muito bem, na companhia do Sr. João Carlos (Na roça com os Tachos, estão a ver??). O espaço é muito bonito e sossegado e está tudo muito bem aproveitado. Tem até um atelier  e uma oficina de formação no antigo hospital da roça.
 A seguir ao almoço ainda visitamos a Roça Água Izé, também uma das maiores roças, com uma linha de comboio em torno de toda a roça. Visitamos algumas instalações, onde é escolhido e secado o cacau e depois um dos senhores foi-nos mostrar a antiga locomotiva que tantos anos circundou aquele espaço para recolher o cacau e trazê-lo para a roça. Depois de uma sessão fotográfica, passamos pela Roça Ribeira Peixe, situada bem perto do mar. Esta roça tem um hospital com uma fachada fantástica em alto relevo, onde se encontravam umas crianças que mais uma vez vieram em nossa direção a pedir "doce, doce, doce", um desses miúdos divertia-se com uns patins em linha na mão, o que não deixa de ser curioso. 
 Daí partimos para a Roça Porto Alegre, bem lá no sul, com muitas casas coloniais, onde moravam os escravos, essas casas vão passando de geração em geração, um campo de futebol com um sem número de crianças a jogar. A passagem por esta roça seria breve, visto o barco partir do Porto Baleia às 17h, para o Ilheu das Rolas.... mas às 17h02 o barco já partia... e nós a contornar e apreciar a magnífica Baía, pensando que seria impossível numa ilha em que reina a imprevisibilidade, um barco ser, pura e simplesmente, pontual... O Moisés ainda acelerou, mas...  a verdade é que perdemos o barco. Acabamos por não ir ver a praia Jalé e ficamos em terra, e agora? Apanhamos um barco mais pequeno e fizemos a viagem durante a noite, colocamos os coletes e rezamos para que o pequeno barco aguentasse a forte ondulação da maré cheia. Conseguimos chegar ao Ilhéu das Rolas, já de noite. 
O ilheu dividide-se entre o Resort e uma pequena povoação local, com poucos habitantes com quem entramos em contacto logo no 1º dia, isto porque à saída do resort estão alguns "miúdos" à espera dos turistas para fazerem de guia. Nós tivemos o privilégio de ter 2, o Janu e o Artur, que nos fizeram uma visita guiada à ilha, tendo nós passado em praias paradisíacas, com paisagens belíssimas e como não podia deixar de ser fomos tirar uma foto na linha do Equador. 
Durante os dias que passaram fomos convivendo com os "locais", um dos quais até me arranjou uma prancha, pena que não houvesse ondas :(!!! à noite chegamos a ir ao baile da vilazinha... um baile bem divertido onde não faltou a kizomba e cerveja Coral.

Um dos dias almoçamos na praia, almoço esse feito pelo Janu, com algumas variedades de peixe, um excelente e saboroso polvo, e a acompanhar fruta-pão grelhado (delicioso). 
Chegou o dia da partida, com a promessa de um dia voltar!!!